Dia 1º de Outubro completou um mês que Dilma Lopes dos Santos (carinhosamente chamada de Tia Dilma) faleceu deixando muitos corações na EAFC-PA fragilizados pela saudade. Nós, que tivemos o privilégio de conviver com Tia Dilma, podemos afirmar que como titular do Setor de Alimentação e Nutrição (SAN), ela cuidava do refeitório com o mesmo carinho e atenção que dedicava a sua casa, no sentido de tornar o ambiente harmonioso e cuidar dos detalhes para que as refeições servidas diariamente fossem saudáveis e saborosas.
Consta no Livro de Registro de Funcionários, arquivado no Setor de Recursos Humanos, que Tia Dilma ingressou na EAFC-PA como Auxiliar de Nutrição no dia 02/05/1980, neste período a EAFC-PA era vinculada a Coordenação Nacional do Ensino Agropecuário(COAGRI).
Assim que soube da triste notícia o Técnico em Assuntos Educacionais Edivaldo Moura (hoje residindo na cidade do Rio de Janeiro), escreveu a mensagem intitulada “Um Anjo Chamado Dilma”. Essa mensagem retrata exatamente o que Tia Dilma ainda representa para muitos de nós, ou seja, aquela pessoa sempre pronta a ajudar, proteger e ensinar lições para enfrentar os desafios do dia- a –dia.
Edivaldo Moura autorizou a publicação da mensagem junto com esta notícia.
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Um Anjo Chamado Dilma
Trabalhar com Tia Dilma foi ótimo. Tranqüila e serena, ela sempre tinha a maturidade para resolver os problemas do dia a dia. E em um setor muitas vezes estressante, como era o caso do refeitório. Os colegas tinham confiança nela. Eu aprendi a ter também. Ela me trazia paz. Quantas vezes, quando coordenador da CGAE, eu me preocupava com algum problema da cozinha, mas Tia Dilma já havia encontrado uma solução. Nunca vou esquecer dos seus sorrisos que tanto me tranqüilizavam e das palavras que ela nunca deixava de pronunciar: “Está tudo na paz do Senhor, graças a Deus.” Tia Dilma foi um anjo na minha vida. E isso não é força de expressão. Foi um anjo de verdade. Recentemente, algo aconteceu comigo que me fez perceber isso.
Ela conduzia um grupo de oração na escola, sempre depois do almoço, quando algumas pessoas se reuniam no Gabinete da Direção Geral. Cristina volta e meia me dizia que eu sempre estava nas intenções de oração de Tia Dilma. Eu sempre agradecia. Não tenho dúvidas de que isso me rendeu muitas graças como Coordenador Geral de Atendimento ao Educando, e na esfera pessoal também. Isso já bastaria para que eu a considerasse um anjo na minha vida. Mas ela fez mais.
Dia 30 de julho de 2008. Faltavam dois dias para a minha viagem ao Rio de Janeiro. Eu ainda não tinha comprado as passagens, nem tampouco sabia onde iria morar. Eu nem tinha mais certeza se deveria ir ou não. De um lado, o sonho de fazer Cinema. De outro, o momento feliz que eu estava vivendo em Castanhal. Eu estava com medo. Muito medo. Medo de perder minha grande chance. Medo de interromper minha boa fase por uma aventura. Chorei muito. Não sabia o que fazer. Acho que Deus já havia me dado alguns sinais, mas eu ainda tinha dúvidas sobre meu caminho. E me assustava olhar para minha frente e ver que tinha que tomar uma decisão que eu sabia que iria definir o rumo do restante da minha vida, tanto pessoal quanto profissional. Apesar de ter vários amigos, eu não tinha a confiança suficiente para me deixar conduzir por ninguém em especial. Implorei a Deus que me orientasse de uma forma que eu não tivesse dúvida sobre o que fazer. Que Ele deixasse as coisas claras para mim. Chorei. Chorei muito. Pedi que ele, em meus sonhos, falasse comigo ou me enviasse um anjo. Acordei frustrado no dia 31. Deus não tinha falado comigo nem mandado anjo algum.
Foi na EAFC que aconteceu. Na minha sala. Pela manhã. Tia Dilma entrou. Veio me agradecer pelo trabalho que realizamos juntos. Eu também agradeci muito. E abri meu coração para ela, falando sobre minhas dúvidas. Contei que havia pedido a Deus uma revelação que não veio. Algo diferente aconteceu. Após alguns minutos de conversa, Tia Dilma fechou os olhos e baixou a cabeça. Ela começou a ter revelações sobre meu futuro. O anjo que eu tinha pedido estava bem ali, na minha frente. Disse que me via no meio de uma grande multidão. Que eu iria e devia viajar. Falou sobre surpresas e cuidados que eu não podia deixar de ter por conta de coisas que iriam acontecer, e fez previsões sobre o futuro da minha vida amorosa. Aconselhou-me a ir. E, no final, sabendo que eu estava com dificuldades de comprar minha passagem pelo site, olhou para mim, cerrou os olhos mais uma vez (nunca me esquecerei disso) e, sorrindo, disse: “Você não vai no avião que você está querendo. Você vai em outro.” Ela nem sabia que eu planejava viajar pela TAM. Na tarde do mesmo dia, encontrei um preço um pouco mais baixo e consegui comprar minha passagem. Eu acabei viajando pela Gol.
Um mês depois de ter chegado a Niterói, recebi a noticia de seu falecimento. Fiquei muito triste, mas sei que ela está sendo recompensada pela mulher iluminada que foi. Jamais esquecerei de suas palavras de encorajamento, do quanto ela orou por mim, das revelações que ela teve. Desde que cheguei ao Rio de Janeiro sou exatamente o que ela previu: alguém no meio de uma grande multidão. Sinto-me muitas vezes perdido, tentando me encontrar, mas sentindo a mão de Deus a me guiar e a guiar as pessoas que amo. Não sei se vou ficar os quatro anos que Tia Dilma previu. Gosto de estudar Cinema, mas sinto muita saudade. Não está sendo fácil. Mas, hoje percebo que eu tinha que vir. A experiência está valendo a pena. As respostas sobre meu futuro, sei que virão com o tempo. E espero que Deus me dê sabedoria para compreende-las e que continue colocando anjos na minha vida como colocou naquele momento tão decisivo. Quem sabe não seja a Tia Dilma de novo. E dessa vez do jeito que eu tinha pedido inicialmente: em sonhos.
Edivaldo Moura
02/09/2008 |