Na semana de 27 de maio a 01 de abril, cerca de 54 (cinqüenta e quatro) educandos/as do Curso Técnico em Agropecuária com Ênfase em Agroecologia, que estudam na Escola Família Agrícola (EFA) de Marabá estiveram no Campus de Castanhal do Instituto Federal do Pará (antiga Escola Agrotécnica Federal de Castanhal – EAFC) participando de uma série de atividades de socialização de suas experiências de formação na EFA-Marabá, bem como realizando capacitações nas Unidades Educativas da Instituição. A turma é fruto da parceria entre os Movimentos Sociais da Região do Sudeste do Estado, Universidade Federal do Pará, e várias Instituições de Pesquisa, Assessoria Técnica da Região. É apoiada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) através do Programa Nacional de Educação da Reforma Agrária (PRONERA).
Para o Diretor Geral do Campus, Prof. Francisco Edinaldo, esta iniciativa marca um momento histórico para a Instituição, tendo em vista que o IFPA – Campus Castanhal é a Instituição Certificadora do Curso. Edinaldo ressalta ainda que sua gestão tem sido marcada pela ampla articulação com os Movimentos Sociais do Campo, o que vem proporcionando excelentes parcerias no sentido de melhoria na formação profissional dos educandos/as e conseqüentemente no Desenvolvimento da Agricultura Familiar Camponesa de nosso Estado.
Além das turmas em parceria com a UFPA e Movimentos Sociais de Marabá e Altamira, o Instituto ainda possui uma turma do mesmo curso em Castanhal que concluem sua formação no final deste ano. A turma do Curso Técnico em Agropecuária com Ênfase em Agroecologia tem como características principais o Ensino Integrado e a Pedagogia da Alternância, diferenciando-se do ensino regular da maioria das Instituições Profissionalizantes do Brasil.
“A pesquisa e o trabalho como princípios educativos também são características fundamentais para uma formação contextualizada com a realidade em que vivem os/as educandos/as, além da busca por sistemas de produção que privilegie a sustentabilidade e reprodução social da agricultura familiar camponesa”, afirma o Prof. Cícero Paulo Ferreira, Diretor de Ensino Agrícola do IFPA. Neste sentido, a Agroecologia como ciência pautada nas práticas e saberes populares possue importância estratégica no campo da formação profissional, completa o professor.
Os/as educandos/as tiveram a oportunidade de socializar suas atividades pedagógicas desenvolvida na Escola para os demais educandos/as do Instituto em Seminários e palestras realizadas durante a semana. Visitam as Unidades Educativas e puderam refletir sobre as diferenças na formação realizada na EFA e no Instituto em debates democráticos e bastante construtivos. Desenvolveram ainda práticas nas Unidades Educativas de Produção e oficinas, como a realizada sobre GPS, ocorrida ontem durante o dia (01/04).
Para o professor Romier Sousa, coordenador Geral do Curso na Instituição, esta é uma possibilidade real de troca de saberes e valorização da cultura camponesa. O professor afirma ainda que a Instituição vem passando por uma mudança significativa no seu Currículo nos últimos 4 anos, fruto do aprofundamento das relações com os Movimentos Sociais do Campo e Instituições de Pesquisa, principalmente através do Fórum Paraense de Educação do Campo – FPEC.
Além das turmas do Ensino médio Integrado apoiadas pelo PRONERA, o IFPA Castanhal teve participação ativa na Construção da versão Piloto do Programa Saberes da Terra na Amazônia Paraense, inclusive realizando a Certificação dos/as educandos/as; realizou em parceria com a PJR/Caritas Brasileira o I Curso Livre em Agroecologia para Jovens Agricultores do Estado do Pará e hoje oferece um Curso de Ensino Médio Integrado para os Egressos do Saberes da Terra de 4 (quatro) municípios do Nordeste Paraense (Moju, Ipixuna do Pará, Concordia do Pará e Igarapé Mirí).
“Esperamos que tenha sido extremamente proveitoso para estes jovens a vinda na Instituição e que possamos em breve realizar mais uma colação de grau em Marabá, resgatando esta dívida histórica que o estado brasileiro possui com o povo do campo", finalizou o Prof. Francisco Edinaldo Feitosa Araújo.
Por Romier Sousa e Cícero Paulo